• Fernando Casavechia

7 desperdícios do Lean na Construção: Excesso de Produção

Atualizado: Out 2

O sétimo desperdício do Lean que vamos falar aqui no blog é o excesso de produção. Esse desperdício é de fácil percepção, pois conseguimos sempre observar quanto alguma coisa foi produzida muito mais do que deveria.



Na construção civil é até mais fácil que em fábricas, onde conseguimos “esconder” esse excesso em estoque, mas na obra o material em excesso fica evidente para todos e como na maioria das obras, organizar bem o espaço do canteiro é sempre um desafio.

A produção em excesso pode surgir por um planejamento mal feito das frentes de trabalho da obra e quantidade de material que será necessário naquele momento. Essa produção em excesso, na construção civil, normalmente vai gerar uma elevação no nível de desperdício, consequentemente aumenta a quantidade de entulho, e perdemos dinheiro com manejo de entulho, custo de material jogado fora… É muito importante ter isso planejado, pois o custo financeiro de lidar com esses desperdícios pode comprometer o planejamento da obra.


Um exemplo simples de desperdício seria a solicitação incorreta da quantidade de concreto para a concreteira, solicitar uma quantidade maior que a necessária ou sem ter o local para aplicação do concreto pronto pode causar um desperdício enorme. Outro exemplo, seria comprar argamassa estabilizada de 48 horas para a fase de reboco, por exemplo, e não ter frentes de trabalho suficiente para utilizar essa massa. Em 48 horas a massa seca é simplesmente jogamos dinheiro fora por falta de planejamento e gestão do andamento da obra.


A falta de informação entre o setor responsável por compras/planejamento e os responsáveis pelo andamento na obra pode gerar um excesso de produção que pode acarretar em outros desperdícios. Imagine que a obra está 100% dedicada na fase de alvenaria, todos os pedreiros dedicados no assentamento de tijolos.

A engenheira da obra deve ter mapeado e informar para compras e planejamento o ritmo de construção e de consumo de material. Se essa informação não for passada da forma correta, a obra irá produzir muito rápido e sem receber mais material para que o trabalho não pare. Se por acaso a equipe de obra precisar parar por falta de material, teremos o desperdício da espera atuando muito. E, evidentemente, a equipe parada é dinheiro jogado fora.


O Lean nos ensina que devemos produzir apenas o que precisamos, no momento que precisamos. Produzir além do necessário gera estoque, consome tempo da mão de obra, gastamos dinheiro comprando mais matéria prima e aumentamos o risco de desperdícios.


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Para evitar essa superprodução a busca por fluxos contínuos de trabalho foi a solução encontrada pelas fábricas. No caso da construção civil, temos uma dificuldade maior por termos produto com um arranjo físico posicional, ou seja, o produto que estamos fabricando (casa, prédio, galpão) fica parado e quem se movimenta são as pessoas e os materiais. Mas mesmo nesse caso, podemos controlar o Takt Time (ritmo de produção) para atender as demandas das frentes de trabalho, sem gerar excesso de material produzido ou correr o risco de faltar material.


O controle desse ritmo deve ser feito pensando no prazo estabelecido para a construção de uma etapa do empreendimento, a disponibilidade e capacidade da mão de obra. Vamos fazer um exemplo:


Uma obra tem 500 m² de alvenaria para rebocar em uma semana, sendo 5 dias de trabalho com 8 horas por dia. Digamos que temos 5 pedreiros na obra e que cada um consiga produzir 20 m² de reboco por dia. Considerando um reboco de 2 cm de espessura, cada pedreiro vai demandar por dia 0,4 m³ de massa para reboco ou 0,005 m³ de massa/hora. Logo a produção e fornecimento de massa deve ser a quantidade necessária para atender, sem muita sobra a produção.


Como a produção de massa tem que atender a 5 pedreiros, precisamos produzir 2 m³ de massa para reboco por dia. Digamos que uma betoneira de 400 l faça 0,2 m³ por massada, vamos precisar de 10 massadas no dia ou 1,25/hora para atender a demanda da mão de obra. Ou ainda, para termos um valor em minutos, precisamos ter uma massada pronta a cada 48 min.


Essa análise do ritmo que vamos produzir geram os cálculos de como montar nossa capacidade na obra, de mão de obra, de equipamentos necessários e ponderar mais facilmente no que realmente vale a pena investir para otimizar. Algumas reflexões que poderiam ser feitas:

  • Vale a pena trabalhar com mais uma betoneira para atender o ritmo com mais tranquilidade?

  • Colocar uma betoneira a mais não vai gerar ociosidade de equipamento de mão de obra?

  • Ou não vale a pena gastar um pouco a mais e pegar uma massa estabilizada e retirar essa etapa de preparo de massa na obra?


Como em todos os textos desta série, gosto de lembrar que só conseguimos perceber esses problemas quando pararmos para analisar com seriedade como que ocorrem os processos nas obras. Quando o assunto é modernização e inovação na construção civil, é muito fácil cair na armadilha de pensarmos em IoT, inteligência artificial, projetos em BIM 5D, e todas essas tecnologias sensacionais que estão surgindo.


Mas não adianta em nada pular para a aplicação de uma muito avançada se não temos o básico muito bem feito. E o básico começa entendendo onde estamos perdendo dinheiro em nossos processos apenas por não estarmos cuidando e monitorando esses processos. Então, concluindo o texto e essa série de posts sobre desperdícios do Lean na construção civil, sugiro que os construtores comecem a inovação e modernização das suas empresas olhando para dentro delas, enxergando como são os fluxos produtivos, identificando o que realmente gera valor para seu cliente e aquilo que pode ser descartado, e só após isso iniciar projetos de inovação mais avançados na empresa.


Lançamos um e-book com todos os desperdícios da construção apresentados aqui. Caso queira baixar, clique aqui.


Espero muito que esses textos tenham ajudado pelo menos um pouco a dar essa visão de melhoria de processos e redução de desperdícios, e a uBeton continua muito ativa nessa área para ajudar a todos que nos procurarem. Um grande abraço e continuem acompanhando nosso blog para mais conteúdo de qualidade sobre construção civil!



Autor:

Fernando Casavechia Teixeira

Especialista em Lean Manufacturing pela PUCPR

Diretor Comercial na Ubeton

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