• Fernando Casavechia

Por que fazer uma análise global de custos?


A compra de materiais para uma obra pode ser uma das tarefas mais estratégicas que a empresa irá realizar. Se o processo for realizado de forma eficiente, teremos uma obra dentro do custo, sem falta de material, sem excesso de material, entre tantos outros benefícios.



Não é raro de encontrar departamentos de suprimentos que focam excessivamente no custo dos materiais da e negligenciam todo o impacto que um material pode gerar na obra, positiva ou negativamente.


Ao realizar um orçamento, normalmente o comprador segue uma lista daquilo que foi levantado como o necessário para a etapa da obra, realiza orçamento com alguns fornecedores e fecha com o mais em conta.


Porém a falha que pode acontecer nesse contexto é não avaliar se o produto ou fornecedor realmente vão conseguir cumprir com o orçamento e não verificar se temos benefícios de outras soluções que não foram colocadas na conta no momento do orçamento.


Custos indiretos


Uma análise que pode ser difícil de fazer, mas cada vez mais é necessária para aumentar a competitividade das empresas, são os custos indiretos à execução do processo.


Os custos de uma obra vão além do custo direto de produtos gastos na execução de uma parede. Temos diversos custos indiretos que devem avaliados na decisão das melhores opções de produtos.


É comum, por exemplo, ao analisar o custo de uma alvenaria considerar o custo apenas dos materiais diretos na sua realização - tijolo, argamassa, mão de obra, reboco - para dar o valor por m² da parede. Mas não é levado em conta o que a escolha dos materiais ou da forma que a tarefa será executada afetam no custo do projeto.


Vamos ver um exemplo para ficar mais claro.


Imagine uma obra de 20 pavimentos (obra de grande porte) que está na fase de reboco. Vamos criar 3 cenários para essa obra na seleção do tipo de argamassa que será utilizada:


  • Cenário 1: argamassa virada em obra - mistura de cimento, cal e areia;

  • Cenário 2: argamassa estabilizada entregue com caminhão betoneira;

  • Cenário 3: argamassa em silo com projeção mecânica;


No cenário 1 temos o custo mais baixo de material. Se a análise for simplória como o custo de produto por m² estaremos negligenciando os seguintes custos: aluguel de betoneira, custo dos carrinhos para movimentação de material, manutenção dos equipamentos, custo com espera para o material ficar pronto, taxa muito elevada de desperdício, alto custo de limpeza e produtividade muito baixa - logo prazo maior de conclusão do processo.


No cenário 2 o custo direto de produto é intermediário, a massa já chega pronta, porém ainda vem à granel, é necessário fracionar a massa em carrinhos menores e levar até o local de aplicação. Nesse caso ainda iremos consumir muito tempo de gruas ou elevadores cremalheiras apenas transportando material, o índice de desperdício continua elevado (mesmo que menor que no cenário 1) e esse tipo de massa corre o risco de secar se não for utilizada completamente antes do prazo.


No cenário 3 o custo direto do produto é o mais elevado. Porém é um cenário muito bom quando pensamos nos custos logísticos e de produtividade da obra. O material chega pronto também, a movimentação é feita com uma bomba que joga o material até o local de aplicação. O custo com desperdícios de espera e transporte cai muito. A produtividade aumenta consideravelmente - reduzindo o impacto do custo indireto no custo total da obra.



Quem fizer uma análise mais simples, pode considerar diretamente apenas a opção apresentada no cenário número 1 - custo direto menor, logo é a melhor opção. Porém fica evidente que a forma como o processo será realizado, vai impactar muito em toda a organização do empreendimento.


A escolha de um produto deve ser feita, portanto, considerando todos os elementos da obra que serão alterados e afetados por ela. Até mais importante do que escolher qual produto será usado (qual fabricante, marca), é entender exatamente quais são os métodos disponíveis no mercado para realizar aquela etapa da obra e verificar o que irá gerar um melhor aproveitamento do orçamento na análise global.


É evidente que o trade-off entre aumento de produtividade x redução de custos indiretos x custos diretos deve ser bem analisada. Na visão inicial o primeiro cenário que apresentamos é o pior, mas outros fatores também pode influenciar, como: disponibilidade de fornecedores de material, distância dos fornecedores, capacidade de entrega, demanda mínima exigida, riscos quanto à continuidade do fornecimento. Ou seja, essas observações apenas reforçam mais ainda a necessidade de sempre analisar o custos de forma global, olhando o que cada componente pode gerar de impacto no sistema construtivo. Muitas vezes o que custa alguns reais por m² a mais, geram um impacto enorme na obra em outras atividades.


Para complementar essa leitura, sugiro que veja nossos posts aqui no blog sobre os desperdícios do Lean ou baixe nosso e-book sobre o tema, certamente ele irá te ajudar a ter uma visão de como perdemos dinheiros com desperdícios nos canteiros de obra. Além disso um bom exemplo de impacto global no custo é a nossa massa polimérica para assentamento de tijolos - saiba mais sobre ela clicando aqui.


Espero que tenha gostado do tema e siga nossas redes sociais e nosso blog para mais conteúdos sobre construção civil! Abraço.




Autor:

Fernando Casavechia Teixeira

Especialista em Lean Manufacturing pela PUCPR

Diretor Comercial na Ubeton

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