• Fernando Casavechia

9 Mudanças na Construção Civil

Atualizado: Abr 20

No relatório da Mckinsey são apresentadas 9 mudanças na construção civil que devem acontecer no setor para torna-lo mais inovador e produtivo. No outro texto, comentamos brevemente sobre eles e aqui iremos falar um pouco mais a respeito.


Essas mudanças que devem acontecer, possuem o potencial de mudar drasticamente o ecossistema da construção civil. As empresas que se recusarem a mudar irão piorar cada vez mais em performance e aos poucos não vão mais conseguir competir com as empresas que estiverem inovando e gerando mais valor e lucro.


Todos que atuam no mercado da construção civil sabem que o aumento de produtividade é tema constante nas obras. Em outro texto aqui do blog, comentamos sobre qual a expectativa de mudanças para o setor da construção civil nos próximos anos, baseado no relatório elaborado pela consultoria McKinsey & Company em junho de 2020.


Caso não tenha visto o texto, você pode ler clicando aqui.

Se preferir, você também pode assistir a live que gravamos junto com o Ecossistema de Inovação em Construção Civil - Construimob do Sebrae/PR, para abordar o tema. Acesse o vídeo clicando aqui.


9 MUDANÇAS NECESSÁRIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL


1ª - Abordagem baseada no produto:


Atualmente as construções são feitas a partir de projetos únicos. Quase toda obra possui um desenvolvimento completo de todas as etapas do zero. Isso já vem mudando aos poucos com o crescente uso de fôrmas de concreto que acabam limitando as mudanças nos projetos e criando produtos mais parecidos. Porém a tendência é que futuramente ocorra um grande crescimento no uso de estruturas pré fabricadas, modularizadas e que são construídas fora do canteiro de obra, e isso criará a oportunidade para as empresas de criarem e venderem as construções como produtos, ao invés de projetos únicos.


Essa mudança de mentalidade e forma de construir vai permitir que o processo construtivo seja mais rápido e eficiente, além de gerar construções com maior qualidade e mais sustentáveis.


A partir desse desenvolvimento, é esperado das construtoras e fornecedores de materiais que sejam criadas linhas de produtos que possam ter essa flexibilidade de montagem e rapidez de construção. Com a compatibilização mais rápida entre os projetos e materiais que sejam adaptáveis para os mais diferentes produtos. É o LEGO da vida real.


2 - Especialização:


Em busca de um aumento de margem de lucro e melhorar nível de diferenciação, é esperado que as empresas fiquem cada vez mais especialistas em um tipo específico de construção. Ao invés de existirem construtoras que fazem de tudo, cada vez mais teremos construtoras apenas de hospitais, apenas de obras industriais, apenas de prédios familiares para classe baixa, etc.


Essa tendência já podemos observar em grandes construtoras, como a MRV que constroem basicamente moradias de baixo custo. Ou a Vitacon que constrói prédios de alto padrão para pessoas que trabalham no centro de São Paulo e precisam morar perto do trabalho. Essa especialização das construtoras gera um diferencial nelas, pois elas vão cada vez mais construir exatamente o que seu cliente procura.


Claro que deve ser levado em conta o trade-off entre o posicionamento de marca pela especialização e o risco da falta de demanda e mudanças no mercado, que não vão afetar quem possuir um portfólio mais diversificado.


3 - Controle da cadeia de valor e integração com supply chain de escala industrial:


As empresas passaram a deter ou controlar atividades importantes da cadeia de valor que muitas vezes eram terceirizadas, como o design e engenharia dos projetos, gestão da cadeia de suprimentos e montagem em campo. Para isso será necessária a criação de parcerias estratégicas com os membros da cadeia e uma integração digital entre os processos.


Assim como em outras indústrias, controlar toda a cadeia de suprimentos será fundamental para que a entrega dos componentes na hora certa, nas dimensões certas e no local de montagem aconteça.


O uso de modelos em BIM vai permitir que as decisões sejam tomadas de forma mais assertiva e rápida. Além disso, a integração digital irá permitir que os processos sejam mais integrados e com menor fricção na troca de informações.


4 - Consolidação:


Para conseguir atender a demanda por especialização e conseguir investimentos para inovação, a escala necessária de construção deve ser maior do que os níveis existentes atualmente. O mercado de investimento de capital de risco também está crescendo na construção civil, porém esse investidores vão sempre buscar investir em empresas com maior diferenciação e consolidadas.

Além disso, o ganho de escala é fundamental para que a padronização e repetibilidade, fatores importantes da abordagem baseada em produto, aconteçam. E isso depende de muito investimento e sofisticação de processos cada vez maior das empresas.


Todo esse cenário vai elevar a barreira de entrada no mercado e consolidar a atuação das empresas que souberem aproveitar essas mudanças.


5 - Centrado no cliente e Branding:


Com a industrialização e especialização das empresas, uma marca forte e de referência será cada vez mais fundamental no relacionamento com os clientes. A associação com outras empresas que também tenham marcas fortes pode ser um diferencial para as empresas.


Isso já acontece normalmente em setores mais tradicionais da indústria. Um exemplo básico, os carros da BMW (empresa com marca forte que é sinônimo de carros de alta performance e qualidade) vende alguns modelos com o diferencial de ter os altofalantes do carro da marca Harman Kardon - uma das maiores empresas de som automotivo do mundo e muito reconhecida pela qualidade que entrega. Essa associação entre as marcas ajuda na diferenciação dos produtos e na percepção de qualidade dos clientes.


Criar essa mesma lógica no setor da construção civil é possível, mas demanda de um trabalho de marca muito maior do que é feito atualmente.


6 - Investimento em tecnologia e estrutura:


A pré-fabricação demanda a criação de toda uma indústria nova e isso requer um intenso investimento de capital. Afinal é necessário que sejam construídas plantas industriais, compra de maquinários, software e equipamentos para automação e controle de produção. Além de todo o investimento necessário no canteiro de obras para atender ao novo formato de construção. Tudo isso vai demandar um investimento bem acima dos padrões atuais em pesquisa e desenvolvimento e novas tecnologias.


7 - Investimento em RH:


Com a mudança do perfil do negócio, um novo tipo de mão de obra também será necessário. Além da mão de obra do canteiro que precisará aprender novas técnicas para construir e montar os produtos pré-fabricados, toda uma nova estrutura de escritório, com equipes mais preparadas para o trabalho de produtos digitais será necessário.


Alguns cargos, por exemplo, devem assumir maior importância, como o gerente de supply chain. Em compensação, os gerentes de risco perderam um pouco da relevância.

O desafio será conseguir atrair as pessoas com talento para o trabalho digital para esses novos modelos de negócios.


8 - Internacionalização:


Com a padronização e o ganho de escala, as barreiras para atuação em outros locais devem diminuir.


Assim como, a demanda por escala vai exigir que as empresas cresçam para o exterior, pois pode ser que o seu mercado interno não consiga absorver toda a escala que ele precisa ter para ser cada vez mais competitivo.


9 - Sustentabilidade:


A sustentabilidade já é um fator levado em consideração nos projetos, porém esse fator terá cada vez mais importância e repercutindo para além da obra. A cadeia de suprimentos de materiais deve ser repensada, o consumo e desperdício de material tem que diminuir. Além da necessidade de criarmos ambientes de trabalho menos hostis e desgastantes para os trabalhadores.



Nas imagens abaixo (todas retiradas do relatório da McKinsey - fonte na legenda da foto) é possível ver uma diagramação de como funciona o ecossistema da construção atualmente, para novos projetos. Projetos muito fragmentados e complexos, com pouca interação entre os participantes do ecossistema.

Ecossistema de construção atual (nova construção): um processo de construção altamente complexo, fragmentado e baseado em projeto

Fonte: Relatório McKinsey & Company (Jun/2020)


Ecossistema de construção atual (nova construção): um processo de construção altamente complexo, fragmentado e baseado em projeto

Fonte: Relatório McKinsey & Company (Jun/2020)


No futuro, a expectativa é que, ao adotar as mudanças expostas anteriormente, o ecossistema esteja mais integrado, com muito mais informação digital e processos de pré-fabricação e modularização mais estabelecidos.


Ecossistema de construção atual (nova construção): um processo de construção altamente complexo, fragmentado e baseado em projeto

Fonte: Relatório McKinsey & Company (Jun/2020)


Ecossistema de construção atual (nova construção): um processo de construção altamente complexo, fragmentado e baseado em projeto

Fonte: Relatório McKinsey & Company (Jun/2020)



O futuro da construção civil chegou e é muito importante que quem quer se diferenciar encare os desafios das mudanças antes de qualquer outra empresa. A uBeton busca constantemente ajudar seus clientes em como repensar sua forma de construir, seja utilizando produtos pré-fabricados ou máquinas que agilizem o processo construtivo.


Se gostou do tema e quiser conversar mais sobre, pode entrar em contato diretamente comigo que adoraria falar mais sobre isso. Não deixe de seguir a uBeton nas redes sociais e nosso blog para mais conteúdos sobre construção civil e inovação! Abraços!


Autor:

Fernando Casavechia Teixeira

Especialista em Lean Manufacturing pela PUCPR

Diretor Comercial na Ubeton

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